Doença Arterial Periférica: Quando a Aterosclerose Atinge as Pernas

A doença arterial periférica (DAP) é a manifestação da aterosclerose nas artérias que irrigam os membros inferiores (pernas e pés). Caracteriza-se pelo estreitamento ou obstrução dessas artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo e causando sintomas que variam desde dor ao caminhar até úlceras isquêmicas e risco de amputação nos casos mais graves.

A DAP afeta aproximadamente 200 milhões de pessoas no mundo e é tanto um marcador de doença aterosclerótica sistêmica quanto uma condição que causa significativa morbidade e perda de qualidade de vida. Pacientes com DAP têm risco muito elevado de infarto e AVC, pois a aterosclerose geralmente afeta múltiplos territórios arteriais simultaneamente.

O Que É a Doença Arterial Periférica

A DAP resulta do mesmo processo aterosclerótico que afeta as artérias coronárias e carótidas. Placas de ateroma se desenvolvem nas artérias ilíacas, femorais, poplíteas e tibiais, obstruindo progressivamente o fluxo sanguíneo para os músculos e tecidos das pernas.

Anatomia Arterial dos Membros Inferiores

Sintomas da DAP

Os sintomas da DAP dependem do grau de obstrução arterial e da presença de circulação colateral (vasos alternativos que se desenvolvem):

DAP Assintomática (Estágio 0)

Muitos pacientes têm obstruções arteriais detectáveis em exames, mas não apresentam sintomas devido a circulação colateral adequada ou baixo nível de atividade física.

Claudicação Intermitente (Estágios I e II)

O sintoma mais característico da DAP:

A localização da dor indica onde está a obstrução:

Isquemia Crítica de Membros (Estágio III e IV)

Forma grave com risco de amputação:

⚠️ Isquemia Crítica é Emergência

Dor em repouso, úlceras ou gangrena indicam isquemia crítica e requerem avaliação vascular urgente. Sem tratamento, a taxa de amputação em 1 ano é de 30-40% e mortalidade de 20-25%.

Fatores de Risco para DAP

Os fatores de risco são similares aos de outras manifestações de aterosclerose, mas alguns têm impacto particularmente forte:

Fatores Principais

Outros Fatores

Diagnóstico

O diagnóstico de DAP combina avaliação clínica com exames não invasivos e, quando necessário, exames invasivos:

Avaliação Clínica

Índice Tornozelo-Braquial (ITB)

Teste simples, não invasivo e fundamental para diagnóstico:

Ultrassom com Doppler

Angiotomografia ou Angiorressonância

Angiografia por Cateter

📺 Vídeo Educativo: Doença Arterial Periférica

Dr. Alexandre Amato explica os sintomas, diagnóstico e tratamento da doença arterial periférica.

Tratamento

Objetivos do Tratamento

Tratamento Clínico (Modificações no Estilo de Vida)

Cessação do Tabagismo (PRIORIDADE ABSOLUTA):

Exercício Supervisionado:

Controle de Fatores de Risco:

Tratamento Medicamentoso

Antiagregação Plaquetária:

Estatinas (SEMPRE Indicadas):

Anti-Hipertensivos:

Medicações para Claudicação:

Revascularização

Indicada quando tratamento clínico não controla sintomas ou em isquemia crítica:

Angioplastia com Stent (Endovascular):

Cirurgia de Revascularização (Bypass):

Cirurgia Híbrida:

Tratamento de Isquemia Crítica

Tratamento Especializado para DAP

A Doença Arterial Periférica requer acompanhamento especializado. Dr. Alexandre Amato e equipe do Amato Instituto são especialistas em cirurgia vascular e tratamento de DAP, com técnicas avançadas para preservação de membros.

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DAP Como Marcador de Risco Sistêmico

Pacientes com DAP têm risco muito elevado de eventos cardiovasculares em outros territórios:

Por isso, pacientes com DAP devem fazer rastreamento cardiovascular completo e tratamento agressivo de fatores de risco.

Prognóstico

O prognóstico varia conforme gravidade e tratamento:

Claudicação Intermitente

Isquemia Crítica

Após Revascularização

Perguntas Frequentes sobre DAP

Claudicação sempre piora até amputação?

Não. A maioria (70-80%) permanece estável ou melhora com tratamento clínico (especialmente cessação de tabagismo e exercício). Apenas 5-10% progridem para isquemia crítica em 5 anos. O risco maior é de eventos cardiovasculares em outros territórios (infarto, AVC).

Posso caminhar mesmo sentindo dor?

Sim! Caminhar até dor moderada, repousar até alívio e retomar é exatamente o tratamento recomendado. Isso promove desenvolvimento de circulação colateral e melhora significativamente a distância de claudicação. Não causa dano permanente. Idealmente, faça em programa supervisionado.

Preciso fazer cirurgia se tenho DAP?

Não necessariamente. Claudicação leve a moderada geralmente responde bem a tratamento clínico. Cirurgia/angioplastia é indicada quando: sintomas limitam muito qualidade de vida apesar de tratamento clínico; isquemia crítica (dor em repouso, úlceras, gangrena).

Angioplastia cura a DAP?

Não cura, mas trata a obstrução específica. A aterosclerose é doença sistêmica e progressiva. Após angioplastia, controle rigoroso de fatores de risco é essencial. Cerca de 20-40% requerem reintervenção em 5 anos devido a reestenose.

Posso usar calor nas pernas para melhorar circulação?

NÃO. Calor aumenta demanda metabólica dos tecidos, mas não aumenta fluxo sanguíneo (artérias estão obstruídas). Pode causar queimaduras, pois sensibilidade geralmente está diminuída. NUNCA use bolsas térmicas, água quente ou aquecedores diretos nas pernas com DAP.

Tenho DAP. Vou ter infarto?

DAP aumenta muito o risco de infarto (50% têm doença coronariana), mas não é inevitável. Tratamento agressivo (estatina, antiagregante, controle de pressão/diabetes, cessação de tabagismo) reduz dramaticamente o risco. Muitos pacientes vivem anos sem eventos cardiovasculares com tratamento adequado.