Calcificação Coronária e Escore de Cálcio: Detectando Aterosclerose Antes dos Sintomas

O escore de cálcio coronariano (também chamado de CAC score - Coronary Artery Calcium score) é um exame de imagem não invasivo que quantifica a quantidade de cálcio depositado nas artérias coronárias, os vasos que nutrem o coração. Este exame revolucionou a estratificação de risco cardiovascular, permitindo detectar aterosclerose em estágio assintomático e guiar decisões terapêuticas de forma muito mais precisa.

A presença de calcificação nas artérias coronárias é um marcador direto de aterosclerose e está fortemente correlacionada com o risco de eventos cardiovasculares futuros, como infarto do miocárdio e morte cardíaca súbita.

O Que É a Calcificação Coronariana

A calcificação arterial é um processo ativo e regulado, não apenas um acúmulo passivo de cálcio. Durante a evolução da aterosclerose, células da parede arterial podem se transformar em células semelhantes a osteoblastos (células formadoras de osso), depositando cristais de fosfato de cálcio nas placas ateroscleróticas.

Por Que Ocorre Calcificação

⚠️ Importante Entender

Calcificação = Aterosclerose. Não existe calcificação coronária sem aterosclerose. Portanto, qualquer cálcio detectado (score > 0) indica presença de doença aterosclerótica, mesmo que você não tenha sintomas.

Como É Feito o Exame

O escore de cálcio é realizado por tomografia computadorizada (TC) sem contraste, especificamente do coração:

Procedimento

O Que o Exame Detecta

O software analisa as imagens e identifica todas as áreas de calcificação nas artérias coronárias (artéria descendente anterior, circunflexa e coronária direita), calculando o escore total através do método de Agatston.

Interpretação do Escore de Cálcio

O escore de cálcio é um número que varia de zero (nenhuma calcificação) a milhares (calcificação extensa):

Categorias de Risco

Percentil por Idade e Sexo

Além do valor absoluto, é importante considerar o percentil para sua idade e sexo. Um escore de 100 em uma pessoa de 45 anos é muito mais preocupante que o mesmo escore em alguém de 70 anos.

Valor Prognóstico do Escore de Cálcio

Múltiplos estudos com milhares de pacientes seguidos por mais de uma década estabeleceram o poder preditivo do escore de cálcio:

Risco de Eventos Cardiovasculares

Superioridade aos Escores Clínicos Tradicionais

O escore de cálcio frequentemente reclassifica o risco calculado por escores baseados apenas em fatores clínicos (Framingham, ACC/AHA). Muitas pessoas consideradas de "risco intermediário" pelos escores tradicionais têm escore de cálcio zero (risco real baixo) ou muito elevado (risco real alto), mudando completamente a abordagem terapêutica.

📺 Vídeo Educativo: Escore de Cálcio e Prevenção

Dr. Alexandre Amato explica a importância do escore de cálcio coronariano na avaliação do risco cardiovascular.

Quem Deve Fazer o Exame

O escore de cálcio é particularmente útil em situações de incerteza sobre a necessidade de tratamento preventivo:

Indicações Principais

Não Recomendado

Implicações Terapêuticas

O resultado do escore de cálcio tem impacto direto nas decisões de tratamento:

Escore Zero

Escore 1-100

Escore > 100

Escore > 400

Progressão da Calcificação

A calcificação coronária tende a progredir com o tempo, mesmo com tratamento. A taxa de progressão média é de 20-30% ao ano, mas varia enormemente entre indivíduos.

Fatores que Aceleram Progressão

Tratamento Desacelera Progressão

Embora não "limpe" o cálcio já depositado, tratamento intensivo com estatinas, controle de pressão e outros fatores pode desacelerar significativamente a progressão e, mais importante, estabilizar placas, reduzindo eventos cardiovasculares.

Limitações do Exame

Apesar de muito útil, o escore de cálcio tem limitações importantes:

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Escore de Cálcio vs. Outros Exames Cardíacos

Escore de Cálcio vs. Angiotomografia Coronariana

A angiotomografia usa contraste e visualiza diretamente as placas (calcificadas e não calcificadas) e o grau de obstrução. É mais completa, mas também mais cara, com maior radiação e requer contraste. Geralmente reservada para sintomáticos ou escore de cálcio muito alto.

Escore de Cálcio vs. Teste Ergométrico

O teste ergométrico avalia resposta funcional ao esforço e detecta isquemia, mas não detecta aterosclerose assintomática. São complementares, não excludentes.

Escore de Cálcio vs. Ultrassom de Carótidas

O ultrassom de carótidas avalia aterosclerose extracraniana e pode medir espessura íntima-média. É bom para avaliar doença em carótidas, mas não substitui avaliação coronariana. Idealmente, ambos podem ser úteis.

Perguntas Frequentes sobre Escore de Cálcio

Tenho escore de cálcio zero. Estou livre de infarto?

Escore zero é muito tranquilizador e indica risco muito baixo nos próximos 5-10 anos. No entanto, não é garantia absoluta. Placas não calcificadas podem existir (especialmente em jovens) e fatores de risco devem continuar sendo controlados.

Meu escore aumentou. O tratamento não está funcionando?

Progressão do escore de cálcio é esperada e não significa falha do tratamento. O tratamento estabiliza placas, reduz inflamação e previne eventos, mesmo que o cálcio continue aumentando lentamente. O importante é a progressão ser lenta e ausência de eventos cardiovasculares.

Com que frequência devo repetir o exame?

Geralmente não há benefício em repetir em menos de 5 anos. A decisão de repetir depende do escore inicial, idade, fatores de risco e se há dúvidas sobre intensificação do tratamento. Muitos médicos não recomendam repetir rotineiramente.

Tenho 35 anos e histórico familiar. Devo fazer?

Depende. Em pessoas muito jovens sem fatores de risco significativos, geralmente não está indicado. No entanto, se houver histórico familiar muito forte (pai/mãe com infarto < 50 anos) e múltiplos fatores de risco, pode ser útil para estratificação de risco. Discuta com seu médico.

Posso fazer o exame sem pedido médico?

Tecnicamente, algumas clínicas permitem solicitar diretamente. No entanto, é fortemente recomendado fazer com orientação médica para interpretação adequada do resultado e integração com seu perfil clínico completo. O número isolado tem valor limitado sem contexto clínico.

A calcificação pode regredir com tratamento?

Não. O cálcio já depositado não regride com tratamento médico atual. No entanto, o objetivo do tratamento não é remover cálcio, mas estabilizar placas, reduzir inflamação e prevenir novos eventos. Isso é plenamente alcançável mesmo com calcificação presente.